segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Consumo e Ecologia - Carlos Lessa

    
     A metamorfose mais desejada pela globalização é converter o consumidor em um escravo da propaganda de estilos e modas, ávido pelo acesso a qualquer inovação tecnológica. 
     Este consumidor deve ser condicionado a considerar que o que é novo é sempre superior ao já existente. Esse processo foi tão avançado que a caneta, o relógio e o isqueiro são descartáveis; a joia foi substituída pela bijuteria; o automóvel e o eletrodoméstico mudam de forma a cada ano; a cor e o formato do vestuário mudam a cada estação. 
    Até mesmo o mobiliário urbano e os revestimentos de material de construções passaram a ter vida curta. Qualquer objeto deve deixar de ser durável; o consumidor não é proprietário do objeto, mas o que tem prazer adquirindo-o, rasgando a embalagem e usando-o por uma primeira e única vez (este é o sonho do mercado).
    Na globalização o esforço mercadológico e tecnológico é reduzir a durabilidade das coisas. Desse padrão de comportamento emana persistente e sinistra campanha ecológica que parte do óbvio: a maioria dos recursos naturais não é renovável. 
    Ao invés de contrapor uma tecnologia que aumente a durabilidade e diminua o desperdício, a campanha pela ecologia parece orientada a impedir que a periferia, soberanamente, utilize seus recursos naturais de modo a resolver a questão social mantida com tarefa nacional.